| Cenário
Corporativo Processo de fusão coloca setor de Recursos Humanos mais próximo de presidentes e de negócios RH ganha poder
ao se associar a outras áreas estratégicas "Essa é um tendência já vista lá fora e que deve chegar ao Brasil", prevê Carlos da Costa, consultor e sócio da P&L. "O RH sempre esteve muito longe de ocupar espaço estratégico e com a terceirização da parte operacional ficou nítido a necessidade de ele se reposicionar", analisa. Foi com essa preocupação que que há pouco mais de um ano e meio, a Brasilprev deu início a um processo de reestruturação de seu departamento de Recursos Humanos - ação que fazia parte de uma série de mudanças promovidas pela companhia em 2003. A diretoria de RH que até então ficava abaixo da unidade administrativa passaria a se reportar direto à presidência do grupo. Com a iniciativa, a empresa tentava transformar a área em uma divisão mais estratégica e menos ligada a atividades operacionais. No entanto, a prática mostrou existir uma lacuna entre o planejamento e a execução dos planos traçados. O setor de RH continuava adotando uma linguagem técnica e não de negócios como era desejado. Foi quando, em abril de 2003, a companhia partiu para sua segunda fase de mudanças. A superintendência de RH deixaria de existir, transferindo parte de suas operações para uma nova área na empresa, que também absorveria outra unidade, a de inteligência estratégica e negócio. Dessa junção surgiu a área de estratégia e pessoas, dividido em dois núcleos. O de estratégia corporativa, que atua no alinhamento das ações de RH aos objetivos da empresa. E o de serviços de RH, responsável pela gestão da administração de pessoal e do programa Brasilprev de qualidade de vida. "Agora temos um modelo que entende e contribui para os objetivos de negócios da companhia", afirma André Camargo, superintendente de estratégia e pessoas da Brasilprev. O executivo ressalta que hoje há um alinhamento de ações, as quais não se restringem apenas às necessidades atuais da companhia. "Todos olham para onde a empresa quer ir e estudamos como as pessoas serão avaliadas nesse sentido", afirma Camargo. Na Votorantim Cimentos, as mudanças são bastante recentes - feitas no início de 2005 -, com o diretor de RH assumindo uma das áreas mais estratégicas da companhia, a de gestão. Sob sua responsabilidade está a meta de desenvolver as competências de seus profissionais para que possam contribuir na obtenção dos objetivos da empresa. "O presidente enxerga que as duas áreas precisam caminhar juntas", conta Fernando Lima, diretor de desenvolvimento humano e organizacional da Votorantim Cimentos. "Até porque uma organização só é competitiva e atinge suas metas por meio de seus profissionais." Com essas transformações, o RH passa a pensar no planejamento estratégico e na gestão de inovação, participando das decisões que são tomadas pelo comando da empresa. "Por nos reportarmos ao presidente, temos ainda a responsabilidade de trazer soluções para a empresa", afirma Lima. Sair do tradicional papel de RH - que inclui a administração de indenizações, benefícios, folha de pagamentos, desenvolvimento organizacional, gerenciamento de desempenho, treinamento, desenvolvimento de funcionários e recrutamento - é um desafio que muitas empresas continuam enfrentando. "Mas ter essa visão estratégica é peça fundamental para a sua sobrevivência", ressalta Carlos Raposo, diretor geral da Hewitt Associates, consultoria em RH. Por isso, a área vive um momento de grandes mudanças. "É importante que o setor tenha a mesma força de outras diretorias", analisa Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor corporativo de pessoas da Accor. Na sua opinião, o profissional de Recursos Humanos caminha para assumir novas funções, que também serão compartilhadas por todos os gestores. "O RH começa a ser visto pelos presidentes como um novo sócio da empresa, atrás de resultados", diz. Prestes Rosa explica que essa mudança de perfil já está bem clara para algumas corporações. Seguindo o exemplo da Votorantim Cimentos, o RH da Accor incorporou outras funções, reforçando a atuação do diretor do segmento. "Tenho hoje em minhas mãos as áreas de comunicação interna e externa, gestão de pessoas, responsabilidade social e universidade corporativa", conta o executivo. O mesmo caminho é seguido pela Basf e pela Natura. Na gigante alemã, o RH também cuida da área de responsabilidade social. Segundo Wagner Brunini, diretor de RH da Basf para a América do Sul, sua ligação é direta tanto com o presidente da subsidiária brasileira quanto do CEO da região, além de fazer parte do comitê executivo da companhia. Isso, de acordo com o executivo lhe me permite participar das reuniões que definirão os investimentos a serem feitos. Na Natura, o RH está assumindo uma nova área, a de gestão. Para a diretora da unidade, Claudia Falcão, este é mais um passo na consolidação o papel do Recursos Humanos junto aos principais executivos da companhia. "A empresa vive um momento de crescimento no Brasil e expansão no exterior", diz. "Temos como desafio trabalhar a estratégia de negócio interligada a gestão de pessoas", explica. Hoje, Claudia faz
parte do comitê executivo da companhia, ajudando na definição
de metas e busca de resultados. Além de ter abaixo uma equipe de
gerentes que ficam próximos aos gestores de todas as áreas
de negócios. "Eles atuam como consultores internos de RH,
desenvolvendo as habilidades dos profissionais e na forma com que os líderes
trabalham em conjunto com suas equipes", diz. |
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