| Investimento
em ferrovias acirra concorrência
Robson Bertolino/Alex
Capella/Rafael Godoi/Flávia Fernandes
Os novos aportes no setor ferroviário, de R$ 5,96 bilhões
até 2008, devem não só ativar um meio considerado
ideal para o transporte de cargas no País, mas também reposicionar
as principais concessionárias no ranking nacional. Somando o valor
ao já anunciado anteriormente, ao todo, serão aplicados
R$ 11,3 bilhões na malha férrea, dos quais R$ 7,1 bilhões
vindos da iniciativa privada e R$ 4,2 bilhões do governo federal.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), somente
este ano devem ser aplicados R$ 3 bilhões entre melhoria e ampliação
das ferrovias.
Hoje, com a maior extensão da rede ferroviária, a Ferrovia
Centro-Atlântica (FCA) lidera a atuação no setor,
com 8 mil quilômetros, seguida de perto pela América Latina
Logística (ALL) , com 7,2 mil quilômetros. Já na disputa
entre a terceira e quarta posição estão a Brasil
Ferrovias , com 4,6 mil quilômetros administrados e a Companhia
Ferroviária do Nordeste (CFN) , com 4,2 mil quilômetros.
A MRS Logística é detentora de 1,7 mil quilômetros.
Segundo a ANTT , que congrega 11 empresas concessionárias, até
o final de 2005, 14 terminais intermodais serão inaugurados. Em
2006, a entidade acredita que haverá mais 18 terminais intermodais.
Radiografia
Por toda a malha ferroviária passam 25% das cargas transportadas
no País. Além dos recursos da iniciativa privada, o governo
federal, por meio do Ministério dos Transportes, deverá
investir outros R$ 110 milhões na ampliação e melhoramento
da malha ferroviária também este ano. De acordo com Rodrigo
Vilaça, diretor executivo da Associação Nacional
dos Transportes Ferroviários (ANTF), o segmento ganha em cinco
anos investimentos capazes de mudar a realidade da ferrovia no País.
As concessionárias, nascidas do processo de privatização
ocorrido entre 1996 e 1999, herdaram problemas da época em que
o governo brasileiro era responsável pela linha férrea brasileira,
como a invasão de faixas de domínio da ferrovia, conta.
Para solucionar este problema, as concessionárias que integram
a ANTF estão em negociações com as prefeituras dos
municípios por onde passam estas linhas ferroviárias.
O modal ferroviário aumentou de 20,7% para 23,8% sua participação
na matriz de transporte brasileira entre 2001 e 2004, período em
que a movimentação cresceu de 162,2 bilhões para
206 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU).
Para Vilaça, entre os projetos prioritários pode-se destacar
as parceiras público-privadas (PPPs), que deverão ser contemplados
até o final do ano. A ferrovia Guarapuava-Ipiranga, no Paraná,
com 100 quilômetros, deverá consumir R$ 450 milhões
de investimentos. Além de um trecho de 156 quilômetros no
Ferro Anel, em São Paulo, que consumirá R$ 1 bilhão
em obras de expansão. Por último, a ampliação
do trecho da Norte-Sul em 630 quilômetros com investimento de R$
2 bilhões, diz o executivo. Segundo ele, outra obra de grande
importância e que terá início em setembro é
a Nova Ferrovia Transnordestina , os valores de cujas obras chegam a R$
4,5 bilhões e prevêem a construção de um novo
trecho entre Araripina (PE) e Eliseu Martins (PI). De Araripina sairão
dois ramais: um levará ao Porto de Pecém (CE), remodelando
e alargando trilhos já existentes em boa parte do traçado.
Esta obra está avaliada em R$ 1,5 bilhão. Outro trecho,
todo em bitola larga, corta o Estado de Pernambuco e desemboca no Porto
de Suape, a custo de R$ 3 bilhões.
O governo prevê gerar 620 mil empregos, entre diretos e indiretos.
A ferrovia terá capacidade para girar 30 milhões de toneladas
de grãos por ano e transportará 2,5 milhões de passageiros
anuais em vagões de dois andares, para 160 pessoas cada. As obras
deverão começar no próximo mês.
A Brasil Ferrovias e parceiros deverão investir R$ 1 bilhão,
entre este e o próximo ano. Cerca de R$ 500 milhões
para reformas em geral e ampliações de terminais e o outro
montante de parceiros, para instalação de novos vagões
e locomotivas, diz Elias Nigri, presidente da empresa.
A companhia deverá movimentar cerca de 16 milhões de toneladas,
20% mais que no ano passado. Para 2006, calcula-se 21 milhões de
toneladas em mercadorias transportadas. A demanda está muito
acentuada este ano em relação ao ano passado, conta.
A concessionária cobre três estados: São Paulo, Mato
Grosso do Sul e Mato Grosso, além de atender Goiás e Minas
Gerais por meio da Hidrovia Tietê-Paraná. A ferrovia
interliga também dois países vizinhos: o Paraguai, a partir
de Ponta-Porã, e a Bolívia, por meio de Corumbá ao
Porto do Pacífico, ressalta.
A MRS Logística , concessionária que atende aos Estados
de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, planeja investir,
até o final do ano, cerca de R$ 450 milhões. Porém,
tudo vai depender da movimentação de produtos siderúrgicos
no País. No primeiro semestre deste ano, a empresa investiu R$
150 milhões e a expansão do transporte de cargas, principalmente
de minério de ferro e de produtos siderúrgicos, alavancou
os resultados da empresa, que encerrou os período com lucro de
R$ 199,1 milhões, crescimento de 145,6% sobre o mesmo período
do ano passado. A MRS atingiu a marca de 52,4 milhões de toneladas
no semestre, uma expansão de 14% sobre o volume escoado nos seis
meses iniciais do exercício passado.
Neste mês, a MRS Logística e a Votorantim Metais (VM) firmaram
contrato de R$ 87 milhões para o transporte de 600 mil toneladas
ao mês de produtos de São Paulo até a usina siderúrgica
de Barra Mansa (RJ) que pertence à Votorantim. O contrato entra
em vigor a partir de dezembro, e terá duração de
10 anos. Os produtos serão transportados, por trem, da unidade
fluminense até o terminal da companhia, em São Paulo. As
empresas investirão R$ 17 milhões R$ 12,5 milhões
da VM e R$ 4,5 milhões da MRS na construção
de ramais na usina de Barra Mansa e na reforma de 75 vagões para
o transporte de sucata e aços longos. A recuperação
dos vagões será feita pela MRS. Já a VM irá
construir duas linhas internas de 500 metros cada, uma para o pátio
da sucata e outra acessando a expedição da unidade.
Outra empresa que está investindo é a América Latina
Logística (ALL), que prevê até o final de 2005 investimento
de R$ 12 milhões em sua oficina de vagões instalada em Ponta
Grossa. A empresa já utilizou metade desses recursos para ajudar
no processo de duplicação do volume de trabalho da unidade,
que no ano de 2004 realizou aproximadamente 600 ações de
reparos e readequações em antigos vagões. A concessionária
anunciou também a ampliação de uma unidade de construção
de novos vagões em Santa Maria (RS), com investimento de R$ 5 milhões.
A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), investe até o final deste
ano, R$ 450 milhões no trecho que liga Catalão (GO) a Cubatão,
com extensão de mil quilômetros de extensão. A Ferrovia
Centro-Atlântica (FCA), administrada pela Vale, vai de Goiás
até Campinas, onde a empresa passa a operar com direito de passagem
no trecho de concessão da Brasil Ferrovias até o Porto de
Santos. Entre 2001 e 2004, a companhia investiu US$ 1,06 bilhão
em logística, com a aquisição de 206 locomotivas
e 7.876 vagões, a ampliação da capacidade de terminais
marítimos e a construção de silos e armazéns
portuários.
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