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Conjuntura
As negociações salariais do primeiro semestre deste ano surpreenderam positivamente. Segundo levantamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Estado de São Paulo, 86% dos acordos fechados resultaram em aumento real, ou seja, acima da inflação acumulada nos 12 meses anteriores à data-base. De 28 sindicatos pesquisados, em um total de 42 categorias, apenas 7% conseguiram repor somente as perdas inflacionárias, enquanto outros 7% não conseguiram recompor seu poder de compra. Os trabalhadores saíram vitoriosos mesmo em um cenário econômico e político menos favorável. O primeiro trimestre, por exemplo, foi de quase estabilidade econômica, pois o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% na comparação com o quarto trimestre do ano passado. Houve também o início da crise política a partir de maio. "Foi uma surpresa agradável", afirma Edílson de Paula, presidente da CUT/ São Paulo. Ele diz que a crise política não atrapalhou o andamento das negociações e espera resultados ainda melhores para o segundo semestre. Na avaliação de José Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade de Campinas (Unicamp), o crescimento econômico verificado no ano passado deu força às reivindicações dos trabalhadores. "Eles colheram os frutos do dinamismo econômico de 2004", comenta. Além disso, Krein acredita que a política de valorização do salário mínimo, que passou de R$ 260 para R$ 300, estimulou as categorias a lutarem por aumentos reais, tendo como referência esse reajuste. No primeiro semestre deste ano, a maioria dos acordos - 46,2% - obteve aumentos entre 1% e 2% acima da inflação. Foi o caso dos metroviários e os empregados em empresas de alimentação do setor de frios e abatedouros. No mesmo período de 2004, na maior parte das negociações as elevações oscilaram entre 1% e 1,5%. Em 2005, outra boa parte (28,6%) conseguiu até 1% de reajuste real. Quase 11% obtiveram mais de 2% além da inflação. Os trabalhadores do setor de doces e conservas alimentícias conseguiram elevar o salário em 10%, o que significou aumento real de 4%. Os condutores de cargas da cidade de Dracena, interior do Estado, também tiveram uma bom acordo, com um percentual de 5% além da inflação. Segundo a CUT, este foi o melhor primeiro semestre dos últimos dez anos. No ano passado, por exemplo, menos da metade das negociações (49%) deu ganho real aos trabalhadores, sendo que 24% não chegaram nem a obter a inflação em 12 meses. O segundo semestre, no entanto, foi melhor. Nada menos do que 96% das negociações coletivas fecharam com aumento real. Como nos últimos meses do ano há uma concentração de categorias importantes e bem organizadas, como metalúrgicos, bancários e químicos, a expectativa é que os acordos sejam ainda melhores. Além disso, o presidente da CUT São Paulo afirma que os resultados recentes do PIB, que cresceu 3,4% no primeiro semestre e 1,4% no segundo trimestre deste ano, irão dar subsídio para reivindicações de aumento real. Ele espera que a média dos acordos feche com percentuais entre 2% e 4% acima da inflação do período. |
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