Ministro do Trabalho assume posto-chave na reeleição de Lula
Raymundo Costa, De Brasília


A denúncia do executivo alemão atinge o ministro Luiz Marinho (Trabalho) em seu melhor momento no governo. Aos 46 anos, esse paulista de Cosmorama, casado, pai de dois filhos, cujo único registro na carteira de trabalho é o emprego como metalúrgico na Volkswagen, é hoje um interlocutor privilegiado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um dos arquitetos da estratégia de levar o presidente a buscar o apoio de sua "base social" no pior momento da crise política. Quando Lula fala o preço do arroz tipo 1, pode ter certeza: foi Marinho quem soprou.

Marinho deve ser peça-chave da campanha à reeleição do presidente, caso sobreviva às indiscrições do executivo Klaus-Joachim Gebauer. Não por acaso, na mesma quinta-feira em que circularam as declarações de Gebauer, o ministro dizia-se "indignado" e anunciava que iria acioná-lo na Justiça. Ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), parece definitivamente ter tomado gosto pela política e está na linha de frente da reeleição.

"É evidente que o presidente Lula tem de ser candidato à reeleição", defende, com veemência, em entrevista ao Valor, concedida na terça-feira, antes de publicadas as denúncias. "E ele será candidato com toda a condição de ser reeleito e melhorar a condição do nosso governo no segundo mandato". De acordo com Marinho, mesmo com todos os problemas na área política, Lula tem demonstrado, como indicam as pesquisas de opinião, que será um candidato competitivo em 2006, quando - aposta - o país irá crescer pelo menos 5%, "de forma consistente, sem malabarismos como fizeram outros governos".

Na arena política, Marinho tem especial predileção em fazer comparações entre o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o do presidente Lula. "Gosto dessa comparação. É o meu divertimento", diz. Foi assim que ele compilou os números de criação de empregos com carteira assinada nos dois mandatos de FHC e nestes três anos de Lula. Descobriu que o saldo dos oito anos de FHC foi de 796.967. O de Lula, até agora, está em 3.577.403. Nesse ritmo, Marinho acredita que, ao fim dos quatro anos, Lula terá criado 5 milhões de novos empregos.

Diante da reação dos tucanos, que rejeitaram a informação de que o governo FHC tivera a média mensal de 8.302 empregos, para 108.406 no governo Lula, o ministro pediu uma investigação nos números do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Bingo! Nos oito anos do PSDB a arrecadação líquida do fundo foi de R$ 6,5 bilhões. No de Lula, até agosto passado, está em R$ 14,6 bilhões. Em três anos do governo do PSDB, a arrecadação líquida foi negativa: 1997, 1998 e 1999. "É a prova cabal, definitiva. A média do emprego criado no governo FHC foi muito baixa. O primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso foi só prejuízo, essa é a pura realidade. Eu não gostaria que fosse isso, mas é", diz.

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