Recolocação

Demissão responsável para quem trabalha no chão de fábrica
Andrea Giardino, de São Paulo

O "outplacement" (programa de recolocação oferecido pelas empresas) já não é mais privilégio de altos executivos. O benefício, que visa minimizar os impactos da demissão, começa a chegar a profissionais do chão de fábrica. O caso mais recente é o da Kodak Brasil. Na última quinta-feira, a multinacional - que anunciou o fechamento da fábrica de São José dos Campos (SP), como parte de um repocionamento mundial - realizou um salão de empregos, reunindo aproximadamente de 30 companhias, entre as quais Embraer, Nestlé, Johnson&Johnson, Monsanto e Procter & Gamble.

A iniciativa teve por objetivo colocar os 400 funcionários da área de manufatura que estão sendo demitidos em contato com possíveis empregadores. "Estamos os apoiando a encontrar uma nova colocação", explica Carmine Sarao, diretor de RH da Kodak. Na ocasião, todos tiveram a oportunidade de mostrar suas experiências profissionais aos representantes de cada empresa. "Alguns, inclusive, participaram de entrevistas", diz.

Segundo Sarao, a ação foi inspirada em uma iniciativa da Kodak do Canadá tomada no início do ano, quando as atividades de manufatura foram encerradas. No Brasil, a empresa contratou três empresas de "outplacement", a Manager, a RightSaad Fellipelli e a DBM para acompanhar o processo, auxiliar os funcionários a preparar currículos e indica-los para as vagas disponíveis no mercado.

Em fevereiro passado foi a vez da Bombril realizar um processo semelhante. Após traçar seu plano de recuperação financeira e reestruturação - o qual envolveu as unidades de São Bernardo (SP), Sete Lagoas (MG) e Abreu e Lima (PE) -, a companhia abriu um programa de demissão voluntária, com a recolocação de profissionais de vários níveis, de operários a funcionários em cargos de chefia. "Estendemos o mesmo benefício que nossos executivos têm quando são desligados", explica Luiz Antonio Careli, diretor de RH da Bombril. Os resultados foram considerados bastante satisfatórios, com 81% dos profissionais que aderiram a iniciativa recolocados.

O programa, desenvolvido em parceria com a consultoria francesa BPI, durou seis meses. A empresa contratou um hotel, onde em suas instalações foram montadas células de empregos, com computadores, internet e toda infra-estrutura para workshops. Cada participante teve um acompanhamento de reorientação profissional, optando por um reencaminhamento ao mercado de trabalho ou pela criação de um negócio próprio.

Esse movimento, apesar de recente, deve se transformar em prática no mercado brasileiro, de acordo com Gilberto Guimarães, diretor da BPI. Para ele, as companhias passaram a adotar o "outplacement coletivo" como forma de proteger sua imagem em momentos de fusão, grandes reestruturações e demissão em massa. "Elas importaram o modelo das empresas européias que pela legislação são obrigadas a ajudar os demitidos a se recolocarem", afirma. Volkswagen, Kaiser, Adams, Brasil Telecom, Renault e Avon também recorreram a processos de demissão responsável no Brasil.

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