Massa salarial vive ciclo de expansão prolongado
Sergio Lamucci, de São Paulo

O cenário de juros em queda, inflação baixa e crescimento da economia vai abrir espaço, em 2006, para o terceiro ano consecutivo de recuperação da massa salarial, o que não ocorria desde o início do Plano Real. As previsões indicam uma elevação da massa salarial de 5% em 2005 e também em 2006, já descontada a inflação. Se confirmadas, o ganho será de 12% desde 2004.

O segundo ano consecutivo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - as projeções apontam uma alta entre 3,0% e 3,5% para este ano - abriu espaço para boas campanhas salariais. De janeiro a setembro, 86% das categorias representadas por sindicatos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) conseguiram reajustes iguais ou superiores à inflação, segundo o presidente da central, João Felício. Ele considera possível que esse percentual atinja 90% no acumulado do ano, pois sindicatos fortes estão no momento em campanha salarial.

Na avaliação dos economistas, porém, o emprego teve e vai continuar a ter um papel mais relevante que o da renda na recuperação da massa salarial. Nas contas de Sérgio Vale, da consultoria MB Associados, o aumento de 3,3% no número de ocupados deve ser o principal responsável pela variação de 5% do indicador em 2006. O outro 1,7% virá do crescimento do rendimento acima da inflação.

O crescimento mais forte da massa salarial dará fôlego extra aos setores mais sensíveis à melhora da renda, como os de alimentos, bebida e vestuário, lembram os economistas. E isso ocorre num momento bastante oportuno, já que o setor exportador começa a perder força, devido ao dólar barato, assim como o de bens duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos, nesse caso por conta da desaceleração da expansão do crédito.

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