Indústria de bicicleta registra crescimento de 8% em 2007
Eduardo Musa
Depois de registrar quedas freqüentes em suas marcas, as empresas que trabalham no setor fabricante de bicicletas reagiram e devem encerrar o exercício com uma produção da ordem de 5.400 milhões de unidades em 2007
Eduardo Musa

São Paulo, 05 de dezembro de 2007 - A indústria de bicicletas deverá produzir 8% mais durante o ano de 2007. O resultado representará a produção de mais ou menos 5.4 milhões de unidades, contra 5 milhões fabricadas em 2006, quando foi registrada queda de 5% sobre o volume de 2005. “Poderíamos ter crescido de 10% a 12% não fosse a falta de peças. Na verdade, o mercado viveu um aquecimento que não estava previsto pela cadeia produtiva e muitas encomendas deixaram de ser atendidas”, conta Eduardo Musa, vice-presidente do SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários.
Em seu entender, a economia estável, o lançamento de muitos modelos, a queda nos juros, a redução no preço médio dos produtos, a facilidade na obtenção de crédito, a melhora da renda média e o mercado da região do Nordeste em crescimento foram fatores que contribuíram para alavancar as vendas que vinham em constante declínio. “Com isso podemos afirmar que as empresas da área deverão encerrar o ano com estoques baixos”, afirma Musa.
Entre os problemas que permanecem prejudicando o desempenho do setor estão os componentes chineses, os quais têm prejudicado significativamente a indústria de partes e peças para bicicletas. “O menor custo dessas peças importadas fomentam pequenas montadoras que deixam de comprar os insumos de fabricantes nacionais. Estas pequenas montadoras trabalham no limite da formalidade produzindo bicicletas de baixo custo e pouca qualidade”.
Os montadores nacionais convivem então mais um ano com a concorrência desleal dos fabricantes informais, que continuam prejudicando os empresários da área. “Aliás, este comportamento se intensificou a partir de 2006 e continuou crescendo em 2007. Acreditamos, que os produtores informais estão crescendo muito”, reforça.
A importação de bicicletas de maior valor agregado, embora em pequeno volume também aumentou bastante no exercício. Cerca de 25 a 30 mil unidades que entraram no mercado em 2007 não levam a bandeira do Brasil.
Por outro lado, o setor teve um ano melhor em termos de custos. Tirando
os derivados de petróleo que impactaram os custos de plástico e frete, o
dólar baixo e a estabilidade de custo de algumas matérias primas como o
alumínio permitiram à indústria compensar parcialmente a queda do preço médio de venda.
Para o vice-presidente do SIMEFRE, o dólar baixo, continua impactando
negativamente nas exportações, mas isto é irrisório, pois representa
menos de 1% da fabricação nacional. Isso também favoreceu os montadores que importam parte importante de sua estrutura de componentes, mas é negativa para os fornecedores de partes e peças locais que se tornam menos competitivos.
Segundo Musa, o setor continua sofrendo da falta de infra-estrutura
logística e incentivo às inovações tecnológicas para peças, componentes e produto final. “Até o momento, nada foi feito para reverter esta situação
e o nosso País continua sendo um grande importador de componentes”, diz.
Há mais de três anos, o setor tem como grande desafio transformar o País em pólo exportador de bicicletas. No entanto, o dólar baixo não tem ajudado.
Também não há incentivos do governo para desenvolver este pólo no Brasil. O País também sofre da falta de outros subsídios para o segmento, mas parece que as coisas estão mudando. “Os empresários locais conseguiram finalmente se mobilizar em torno de uma proposta de política industrial para o setor que já está em fase avançada de discussão com o governo e devemos ter resultados concreto a partir de 2008”, comenta Musa.

Perspectivas para 2008

De acordo com o vice-presidente do SIMEFRE, o ano de 2008 continuará aquecido para os fabricantes de bicicletas. Musa estima um crescimento da ordem de 4%, o que representará uma produção e vendas da ordem de 5.600 milhões de unidades. “Pode ser que registremos algo maior porque precisaremos atender a demanda reprimida que vêm de alguns anos”, finaliza.