A indústria nacional fechou 2009 com 115.107 implementos rodoviários comercializados no mercado interno, 12,27% inferior ao ano anterior (131.201 unidades). Somente no segmento de reboques e semi-reboques, segundo balanço divulgado pela Anfir (Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), a queda foi de mais 25%.
Balanço - De acordo com a entidade, as vendas internas de reboques e semi-reboques caíram 25,65% - de 54.486 em 2008 para 40.509 no ano passado. A queda foi verificada em praticamente todos os segmentos de produtos, com exceção de tanque inox e transporte de toras, cujos volumes de vendas são menores.
Sobre os resultados, Rafael Wolf Campos, presidente da Anfir (Assopciação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários), analisa que praticamente todos os produtos terminaram em vermelho, "com exceção de toras e tanque de aço inox, não muito significativos, e tanque de carbono, o ponto de equilíbrio". “Isso deixa bem claro que o mercado como um todo estava freado. Quando a gente olha esse mix de famílias, conseguimos identificar exatamente como está sendo a variação, crescimento ou a diminuição do mercado. Esses tipos de produtos mostram claramente qual setor da economia está retomando ou não”, avalia.
Nas vendas de carrocerias sobre chassis a queda foi menor, com 74.598 unidades emplacadas em 2009 contra 76.715 no ano anterior (-2,76%). Outra grande perda do setor no ano foi no faturamento, que caiu de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,5 bilhões entre 2008 e 2009.
Sobre essa queda no faturamento, Campos lembra que o preço médio que era praticado em 2008 não ocorreu em 2009, baixando bastante. “Quando baixa produção, aliada a uma baixa de preço médio do produto, nós vemos ali praticamente R$ 1 bilhão que deixou circular. É muito dinheiro em um ano apenas, 20% a menos que em 2008, isso é muito grave”, disse.
As vendas externas do setor também tiveram uma queda relevante em 2009. As exportações de implementos rodoviários caíram quase 56%, de 7.087 unidades em 2008 para 3.163 no ano passado. “Quando a gente vê o mercado externo, ficamos muito preocupados. É um peso muito grande. Muito difícil retornar em curto prazo, em 2010 e 2011”, acredita Mário Rinaldi, diretor-executivo da entidade.
Somando esses 3 mil implementos que não foram exportados com os 14 mil semi-reboques do mercado interno, lembra Campos, são 17 mil semi-reboques que deixaram de ser fabricados. “Como o produto que mais representa em termos de faturamento, isso é muito significativo”, completa.
Perspectivas - Para o presidente da Anfir, o ano não foi de todo perdido. “Nós chegamos a números superiores aos de 2007, que até então tinha sido nosso segundo melhor ano histórico”, destacou.
No entanto, Campos ressalta que os números do ano passado superaram os de 2007 em volume como um todo (semi-reboques e carrocerias), mas não em faturamento. “O valor agregado de semi-reboques é muito maior do que o de carrocerias, representando 60% e 65% do nosso faturamento, e ele teve uma queda de 25% em relação a 2008, muito alto falando em semi-reboques. Essa queda começou o ano superior a 40%, reduzindo mês a mês”, comentou.
Apesar desse cenário negativo, a Anfir acredita numa expectativa de crescimento da ordem de 8% para este ano, ficando muito próximo ao de 2008, que foi o melhor da história do setor. Segundo Campos, um crescimento normal, “necessário para poder fazer o país crescer até 2014”, ano, aliás, da Copa do Mundo no Brasil, que vai demandar implementos de construção, como basculantes. “Se isso ocorrer, cenário para mais três anos, até a Copa do Mundo, com 2011 superando nosso melhor ano histórico”, conclui.
Fonte: Canal do Transporte